• UTI Neonatal da Santa Casa de Formiga está paralisada por tempo indeterminado

    Foto: TV Integração

     

    Fonte: G1, Portal Arcos, ASCOM da Santa Casa – A Santa Casa de Formiga informou que os atendimentos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal foram suspensos novamente por tempo indeterminado. Os médicos estão desde maio sem receber os salários. Ninguém na Secretaria de Estado de Saúde foi localizado para falar sobre o assunto.

    De acordo com a assessoria de comunicação da Santa Casa, desde o dia 18 de novembro a UTI Neonatal não recebe novos pacientes e na tarde desta sexta-feira (1), a última criança foi transferida para outra unidade de saúde.

    Ainda segundo a assessoria, quando ocorreu a primeira paralisação dos atendimentos, em setembro deste ano, a equipe médica fez uma negociação com a administração da Santa Casa. Ficou acertado que até 10 de outubro seriam pagos os valores referentes a maio, junho e 55% do mês de julho. Após o acordo, os atendimentos foram retomados, porém não foi cumprido.

    Carla Santos – Secretaria de Saúde

    Segundo a secretária municipal de Saúde de Santo Antônio do Monte, Carla Santos, a notícia é muito preocupante e prejudica a saúde não só daquela cidade, mas de todas as outras que a têm como referência de CTI adulto e pediátrico. 

    “A Santa Casa não é a única referência, temos o CTI do São João de Deus em Divinópolis e O CTI do Hospital São Carlos em Lagoa da Prata, mas é mais uma porta fechada, que com certeza, abala as transferências de urgência e emergência dos municípios da região.  

    Se antes já estávamos tendo dificuldades em conseguir vaga em uma CTI mais próxima, a situação da Santa Casa de Formiga complica ainda mais a nossa luta contra o tempo para salvar vidas”, disse.

    A Santa Casa alega que não conseguiu cumprir o acordo devido aos atrasos nos repasses constantes da Rede Cegonha, que estaria atrasado desde janeiro deste ano; e da Rede Urgência e Emergência.

     

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    A administração ressaltou, ainda, que não recebe os recursos do Estado desde setembro, entre outros convênios, totalizando cerca de R$ 700 mil. Além da UTI Neonatal, a Santa Casa admite que as outras clínicas também estão com o pagamento em atraso.

    “Esta semana a administração voltou a se reunir com o corpo clínico, afirmando não possuir outra forma para quitar o compromisso assumido. Esta posição acabou gerando o desligamento dos profissionais médicos que já não suportam mais esta situação, uma vez que não há como dar assistência integral aos pacientes, colocando em risco a integridade física, psicológica e emocional de todos: médicos, pacientes e colaboradores da Unidade”, informou a nota da assessoria da Santa Casa.

     

    Paliativo

     

    Imagem: Reprodução

    A solução paliativa encontrada pela Santa Casa para evitar a suspensão dos atendimentos da UTI Neonatal é aguardar uma emenda parlamentar disponibilizada pelo deputado federal Jaime Martins. “O deputado comunicou, no dia 29 de novembro, que iria repassar uma verba de R$750 mil para ajudar a Santa Casa de Formiga a custear suas dívidas, mesmo assim a equipe da UTI Neonatal se declarou irredutível à decisão de encerrar suas atividades”, destacou a Santa Casa em nota.

     

    Estado admite atraso 

     

    Nesta segunda-feira, a SES-MG reconheceu em nota que o repasse de pelo menos R$ 787.722,00 em recursos a que a Santa Casa teria direito estão pendentes. O motivo seria a situação financeira do Estado.

    “O Estado de Minas Gerais enfrenta um crescente déficit financeiro refletindo em todos os seus órgãos, bem como na SES-MG. Dessa forma, o Governo de Minas Gerais decretou situação de calamidade financeira no âmbito do Estado, de acordo com o Decreto nº 47.101, de 05 de dezembro de 2016. Diante disso, estamos nos esforçando para honrar os compromissos pactuados, manter nossas ações e dar os melhores encaminhamentos possíveis, ante o contexto supracitado”, declarou a secretaria em nota.

     

    SES aponta descumprimento de metas

     

    Contudo, o órgão aponta que o descumprimento de metas referentes ao primeiro quadrimestre de 2017 e estabelecidas junto ao Programa Rede Resposta, por exemplo, reduziu a verba mensal da Santa Casa de R$ 200 mil para R$ 190.669. Por esse programa, os pagamentos foram feitos até agosto e a unidade ainda tem para receber R$ 572.007 pelo período de setembro a novembro.

    Outro programa, o Pro-Hosp Incentivo, teve o valor reduzido porque apenas 80% das metas foram cumpridas pela unidade de saúde, segundo a SES-MG. O repasse de R$ 275.329, correspondente aos meses de setembro a dezembro de 2016, foi pago em junho deste ano. A secretaria não informou qual valo seria pago caso as metas fossem batidas.

    Ainda conforme a SES-MG, o Pro-Hosp não foi renovado para a Santa Casa dentro do prazo previsto devido a problemas na prestação de contas dos períodos de 2008-2009 e de 2010. Uma comissão do programa analisa como o acordo pode ser restabelecido.

    Sobre o autor:
    Patricia Borges
    Patricia Borges

    Editora e proprietária da Revista Ágora. Estudou Gestão da Comunicação Integrada/Publicidade e Propaganda na instituição de ensino PUC Minas Arcos. Alguém que acredita que mais importantes que as repostas, são as perguntas que a gente faz.

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