• Exército começa inspeção nas fábricas de fogos paralisadas nesta segunda-feira

    Isso quer dizer, que as fábricas que tiverem atendido as exigências, voltarão a funcionar e os avisos dos funcionários poderão ser cancelados.

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    O Exército Brasileiro avisou nesta quarta-feira (29), às onze fabricas de fogos paralisadas na região, que realizará “inspeção para possível reativação definitiva das atividades” a partir da próxima segunda-feira, dia 03. Na tarde desta quinta-feira, dia 30, os empresários receberam um telefone da Tenente Adriana, liberando as fábricas para funcionamento até o deferimento da inspeção. Diante a informalidade do comunicado, muitas aguardam um documento oficial.

    Segundo Américo Libério, gerente do sindicato patronal, sete destas são de Santo Antônio do Monte, duas de Lagoa e duas de Japaraíba.

    Mas afinal, o que está acontecendo? Para esclarecer as dúvidas da população, fizemos um levantamento dos fatores que provocaram a crise do setor pirotécnico, com base em vários pontos de vista.

    Segundo o empresário Jorge Lacerda Filho, presidente do SINDIEMG, os problemas começaram em 2015. “2015 e 2016 foram anos com uma alta taxa de demissão. Se analisarmos os números, em 2017 até então não houve uma evolução na taxa de desemprego, mas sua manutenção em função da crise econômica e política do Brasil. O momento é preocupante, com certeza, mas os nossos problemas estão relacionados a muitos equívocos na gestão do negócio, impactos da divulgação da utilização dos produtos sem conhecimento ou para crimes, dificuldades de venda pela proliferação de leis municipais e às contradições entre as exigências de instituições diferentes, como esta entre o Exército e a Secretária de Estado Meio Ambiente”, esclareceu.

    Para resolver um dos problemas, o prefeito Dinho do Braz está providenciando um técnico, consciente da realidade da indústria de fogos para trabalhar dentro da sede da Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em Divinópolis. O intuito é que ele atenda, exclusivamente, as demandas dos empresários da atividade. Santo Antônio do Monte ocupará a sexta e última vaga de um projeto que já funciona na SUPRAM.

    “Temos que agradecer muito ao prefeito por essa iniciativa, que representa um avanço gigantesco no diálogo, principalmente, no que tange a morosidade e burocracia enfrentada pelo segmento junto a Superintendência”, agradeceu o presidente do Sindiemg Jorge Filho.

     

    O IMPASSE COM O EXÉRCITO

     

    Entre dezenas de exigências relacionadas à segurança, feitas pelo Exército na última inspeção no final de 2016 para revalidação dos registros das empresas, a limpeza mínima de 20 metros com a supressão do maciço florestal em torno dos depósitos, para prevenir incêndios, entra em conflito com as recomendações ambientais contra o corte de árvores de lei, por exemplo, impasse que acabou gerando dúvidas quanto ao seu cumprimento.

    A indignação dos empresários é que, eles tinham por parte da 4ª Região Militar até o dia 30 de março para resolver a pendência, mas foram surpreendidos pela suspensão das atividades das empresas no inicio de fevereiro.  “Infelizmente não houve a agilidade que esperávamos por parte do Exército em resolver a situação. O Sindiemg considera muito grave a paralisação de uma empresa, causando prejuízos econômicos, sociais e morais para o segmento, e esperamos que este episódio seja apenas um ponto isolado. O único item obrigatório na maioria das empresas que ficou pendente foi a capina no entorno dos depósitos. As indústrias têm muita mata nativa e isso depende de uma avaliação ambiental, não podemos simplesmente suprimir a vegetação”, desabafou Jorge Filho.

    Não podemos ignorar que a dificuldade de negociações possa ter relação com o encerramento do Posto do Exército no município. Houve muitas tentativas de encontrar outra maneira de mantê-lo em Santo Antônio do Monte, na ocasião em que a Prefeitura encerrou vários convênios que não eram, legalmente, uma responsabilidade municipal, por falta de dinheiro. “Na época doamos um terreno para a construção da sede própria e sugerimos ao Sindiemg que verificasse uma forma legal de dividir as despesas entre as empresas, que hoje estão tendo que tirar as guias em Belo Horizonte, para garantir a permanência da instituição aqui”, lembrou o prefeito Dinho do Braz enfatizando ainda que as fábricas e as famílias de operários de Santo Antônio do Monte contam com o atendimento exemplar das cinco creches municipais, sem qualquer custo. “Nosso cuidado com os filhos dos trabalhadores é o maior exemplo de que a Administração está lutando lado a lado da população”. De Brasília, Dinho informou nesta quinta-feira (30), a retomada das obras da Creche Dom Bosco, prevista para maio, ampliando o atendimento em mais 180 alunos.

     

    Enfim, a inspeção das empresas paralisadas está agendada para a próxima semana, de segunda a quinta-feira. Segundo o e-mail do Capitão Luiz Carlos, a reativação das atividades depende do cumprimento do item obrigatório do termo de vistoria para revalidação.

    Segundo as informações das empresas Fogos Fama  e pirocolor, na pessoa dos seus representantes legais, o aviso dado aos 58 funcionários da Fogos Fama e aos 48 da Fogos Pirocolor, foi uma medida extrema num momento de muito prejuízo. “As empresas estavam fechadas e não havia qualquer definição do Exército. Uma vez liberados, voltaremos a produzir e para isso, precisaremos dos trabalhadores que seriam demitidos, só não sabemos de quantos.”

     

    O DESEMPREGO EM SANTO ANTÔNIO DO MONTE

     

    Ainda de acordo com Lacerda, a indústria vem desacelerando de 2015 para cá. “A nossa região tinha uma alta produção, maior que a demanda dos nichos de mercado que explorávamos. Com a crise, as fábricas foram se condicionando à realidade. Santo Antônio do Monte continuou com seus empregos normais, o desemprego está relacionado às pessoas que vieram de fora para trabalhar, nos momentos de grande demanda. Uma vez que organizarmos melhor nossa indústria voltamos a demandar mão de obra da população do município” disse.

    É importante lembrar que uma parte dos desempregados na cidade também são oriundos da Rifa, assim como recém-formados e de outros segmentos. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Lucas Santos a Prefeitura busca alternativas estratégicas para aumentar as oportunidades de emprego na cidade. “É lógico que o aumento de rescisões relatadas pelos contadores, nos colocou em alerta e estamos tomando providências para aquecer a economia”, salientou.

    A Secretaria de Desenvolvimento também parcelou o Alvará e o forneceu de forma provisória, uma vez que a liberação de licenças ambientais e do Exército depende disso. “A implantação de um novo sistema, ainda em período de adaptação, é uma medida que visa alicerçar o desenvolvimento de Santo Antônio do Monte, estejam abertos a mudança”, acrescentou.

     

    Antônio Camargos dos Santos, secretário de Assistência Social e presidente do Sindifogos, está apreensivo com essa inspeção:

    “Espero que as empresas tenham feito a sua parte para voltar a funcionar a partir de semana que vem. Somente as demissões dos trabalhadores com mais de um ano passam pelo sindicato, ao todo contabilizamos 35 demissões em dezembro de 2016 e 121 de 1º de janeiro até hoje. Muitos interesses estão em jogo! ”, conclui enfatizando que a “Assistência Social está reforçando a manutenção do Programa Bolsa Família. Outra preocupação que tenho é que, atordoados pelas informações distorcidas nas redes sociais, as famílias façam tudo para se manterem no emprego, abdicando, inclusive, dos direitos adquiridos”. A Assembleia para reajuste salarial deve ser agendada para depois da Semana Santa, a proposta patronal é de pouco mais de 4%, índice que as empresas alegam poder pagar nesse momento.

     

    A LUTA POR UMA LEGISLAÇÃO JUSTA

     

    Ao contrário do que muitos pensaram, a aprovação da PLS 497/2013 pelo Senado é uma conquista importante para o setor pirotécnico.

    “Esta lei que está em tramitação é a favor dos fogos! Trata-se de um ganho real da indústria, do município e do SINDIEMG. Entenda, a partir do momento que ela for aprovada, regulamenta fabricação, comercialização/transporte e utilização dos artigos no território nacional, fazendo cair por terra todas essas leis municipais de proibição que consideramos inconstitucionais. Temos brigado muito nesse sentido, rodando as Câmaras para esclarecer aos vereadores sobre os impactos da aprovação desses projetos para a nossa região”, disse Jorge Filho.

    De acordo com suas informações, o Sindiemg e ASSOBRAPI de São Paulo, têm buscado combater juridicamente as leis municipais. “Estas leis são arbitrárias, normalmente quem as propõe não têm conhecimento técnico, todas contra o estampido, que corresponde hoje a 70% dos nossos faturamentos”, alega.

    Reunião com deputado federal Ricardo Izar, autor do projeto de Lei que rege a proibição da venda de fogos dentro do território nacional.

    Reunião com o senador Anastasia, vice presidente da comissão que analisa o projeto de lei 497/2013 do senador Cyro Miranda do PSDB de Goiás.

    Lacerda ressalta que também houve avanços no diálogo com os deputados autores das leis de proibição do estampido no Brasil. “Registro aqui, minha consideração ao apoio do Dinho, que tem nos ajudado muito neste sentido. Sempre prestativo, nas vezes que precisamos dele, as portas estiveram abertas. O prefeito esteve conosco na conversa agendada pelo deputado Jaiminho Martins com o Deputado Federal Ricardo Izar, que depois de ouvir os impactos do seu projeto de Lei na vida das famílias da região, se comprometeu a conhecer melhor a indústria pirotécnica, no diz respeito, principalmente à geração de empregos diretos e indiretos. Da mesma forma, agradecemos ao apoio do deputado Domingos Sávio, defensor dos fogos, que a pedido do Dinho agendou uma conversa com o Senador Anastasia.  Nao podemos esquecer da vereadora Fernanda Castro,  que promoveu nosso encontro com o deputado estadual Noraldino Júnior, autor do projeto de Lei que tenta proibir os estampidos em Minas Gerais.”

     

     

    O FOGUETEIRO QUE AMADURECER VAI SOBREVIVER E CRESCER

     

    Momentos de crise são uma excelente oportunidade para se reinventar e o que percebemos é que o setor pirotécnico, que foi extremante conservador até então, está sendo obrigado  a se atentar para os novos paradigmas da sociedade.

    As exigências humanas, animais, de preservação do meio ambiente, de segurança e saúde são muito mais cobradas hoje em dia. A comunidade não se contenta com o lucro de uma empresa, mas quer ver sua responsabilidade, seu comprometimento com as leis e a sustentabilidade de suas ações. Enfim, a forma de produzir, comercializar/entregar e consumir os produtos está evoluindo.

    Para Jorge Filho, a indústria passa por uma metamorfose. “Infelizmente, alguns ficaram pelo caminho ao longo dos anos, parados no tempo. Chegamos a um ponto em que não podemos “fazer do jeito que sempre deu certo”, como dizem alguns, porque o que é certo se tornou um conceito muito mais amplo. Com a parceria do SEBRAE fizemos um diagnóstico das empresas, do mercado e do negócio como um todo. Temos que reestruturar muita coisa, nossas relações com o empregado, fornecedores e consumidores. Muitos têm que aprender o básico como calcular o seu custo, fazer controle de estoque, identificar possíveis mercados, interpretar relatórios. O ‘fogueteiro’ que tiver a humildade de reestruturar o seu negócio vai conseguir sobreviver e crescer, não tenho dúvidas”.

    Lacerda acrescenta ainda que através deste projeto, os empresários estão buscando novas alternativas, como automações e capacitação dos profissionais envolvidos tanto na produção, quanto na venda e transporte.  A indústria também despertou para a importância das inovações, de matérias-primas diferenciadas, do layout das embalagens e do designer dos produtos. “Estamos buscando metodologias, mercados e tendências novas. Podemos dizer que já evoluímos muito em tecnologias, mas ainda há muito que melhorar”, finalizou.

     

     

    Sobre o autor:
    Patricia Borges
    Patricia Borges

    Editora e proprietária da Revista Ágora. Estudou Gestão da Comunicação Integrada/Publicidade e Propaganda na instituição de ensino PUC Minas Arcos. Alguém que acredita que mais importantes que as repostas, são as perguntas que a gente faz.

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